MEMÓRIAS 

AFETIVAS

DE ITAPOÁ

Quem não tem boas e saudosas lembranças de Itapoá? Nativo ou recém morador na cidade, todo mundo já viveu bons momentos por aqui, seja há décadas atrás ou mesmo há poucos minutos antes de ler essa frase, afinal, nossa vida é formada por histórias e nossa cidade não poderia ser diferente.

Para quem chegou há pouco tempo, às vezes nem imagina que nossa cidade, mesmo jovem, com 30 anos de emancipação política, reserva histórias, vivências e marcos importantes que ultrapassam décadas e gerações.

Assim, pensando na história que não pode ser esquecida, iniciamos hoje um novo projeto: Memórias Afetivas de Itapoá. O nosso objetivo é relembrar histórias e eternizar momentos. Para isso, a cada mês lançaremos uma foto antiga e uma pequena descrição sobre o fato, para que você possa aprender e reviver com a gente.

Se você também tem fotos e histórias para compartilhar, será um prazer eternizá-las por aqui também, entre em contato conosco.

1957. Há 62 anos atrás, um grupo de empreendedores pioneiros se reuniu para discutir sobre a eletricidade ainda inexistente na cidade: era mais um dos encontros referentes ao desenvolvimento da cidade. 


Na foto, da esquerda para direita, o primeiro, com a criança no colo, é Luiz Brandalise, de codinome Luisim, conforme informações do historiador Vitorino Paese. Ao lado, conforme Werney Serafini, estão, na ordem: Geraldo Mariano Gunther, Mansueto Serafini, Moisés Morch Lima e Dórico Paese. Em seguida, possivelmente é o topógrafo Nicolau Leush e, finalmente, na ponta está Frederico Odácio de Souza. 


Frederico, aos 97 anos, relembra o registro: “foi um dos grupos que iniciou tudo por aqui”. Feliz pela lembrança e por ver tudo que Itapoá se tornou, ele sente pelos colegas não estarem comemorando mais um ano de emancipação política da cidade em vida. 


A foto foi tirada na Fazenda Remanso, onde hoje é o balneário Princesa do Mar. Muita coisa mudou desde então, não é mesmo? 

 

Foto: Acervo Rubens Gunther
Pesquisa: Clóvis Bevilaqua Neto
Texto: Augusta Gern
Contribuições: Werney Serafini e Vitorino Paese

1935, este é o ano do retrato. Seu Evaldo Speck é quem nos conta... Responsável pela grande família Speck, muito conhecida nas paisagens bucólicas do Saí Mirim, ele não passava dos três anos na fotografia. Pequeno, no colo de sua vó, ele tem a imagem viva na memória.


Na foto, da esquerda pra direita, estão: seu irmão Erich Speck, seu avós maternos João Gerke e Emília Witthinrich Gerke, que o segura no colo, seus pais Elsa Gerke Speck e Alberto Speck, os avós paternos Ana Junglas e Germano Speck, sua irmã Ilda Speck e, na janela, seu tio que não quis perder o retrato, Fredolin Gerke. A casa era dos avós maternos: construída de barro e taquaras entrelaçadas fixadas com cipós, também conhecida como de pau-a-pique. Era bem localizada, mas hoje só presente nas lembranças: ficava próxima onde hoje é a Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Saí Mirim.


A foto é de 84 anos atrás, mas a história da família começa antes disso. Foi em 1914 que seus avós, paternos e maternos, chegaram na região. Agricultores da região sul do estado, vieram com a colonização Freitas Cardoso. Com espírito empreendedor e uma forte cultura alemã que seus pais trouxeram na imigração, desembarcaram em São Francisco do Sul e, à base de facão, abriram picada até o Saí Mirim.


O começo não foi fácil, mas o futuro prosperava. Arroz e mandioca eram os principais produtos comercializados e, aos poucos, a família começou a crescer. Hoje, a terceira geração dos Speck no Saí Mirim já tem mais três gerações seguintes. Seu Evaldo teve seis filhos e hoje a casa é sempre cheia com os netos e bisnetos.


O que fica é o desejo de que as lembranças e histórias sejam preservadas e novas fotos sejam tiradas. Quem sabe daqui a 84 anos não temos mais uma foto contata com a família muito maior?


Foto: Acervo Evaldo Speck
Pesquisa e texto: Augusta Gern
Contribuições: Werney Serafini

Você com certeza já passou por onde um dia foi essa casa: a querida primeira das três pedras de Itapoá. Mas já imaginou que ali, onde hoje é um dos principais pontos turísticos da cidade, já foi moradia?

Pois é, a casa foi construída entre os anos de 1938 e 1940 pelos pais de Selma Martins de Souza: Arnoldo Martins e Etelvina Martins. Quem nos conta essa história é Selma, que nasceu entre essas paredes de madeira, e seu marido Pedro José de Souza, conhecido pelo famoso Bar do Pedro, Pedro da Pedra e até Pedra do Pedro.

Da praia de Armaçãozinha, de Governador Celso Ramos – SC, os pais de Selma chegaram em Itapoá para pescar. Com a fartura de peixe na época, construíram a casa e criaram a família de cinco filhos. Selma foi uma das filhas que nasceu ali, em 1953. Ela lembra que não havia luz, mas havia uma fonte de água pura na pedra e a vista era deslumbrante.

Seu Pedro, esposo de Selma, chegou em Itapoá pelo ano de 1970. A casa ainda estava ali e foi ele quem seguiu com a história. Desde essa época já tocavam, junto com a pesca, um barzinho à beira mar. Ele conta que a casa ficou na pedra por um bom tempo, depois foi vendida para um veranista, que logo vendeu para outro. “Esse comprador queria fazer uma reserva particular ali, então tivemos que intervir”, lembra. Com o apoio do governo municipal da época, que era em Garuva, em 1980 requereu junto à Secretaria do Patrimônio da União a pedra para si e a declarou como bem público, ou seja, a partir dali ninguém mais poderia se apossar.

A antiga casa de madeira ficou no local por mais alguns anos, mas em 1987 a família doou para o pescador Jerôncio Batista, que a desmanchou e a reconstruiu perto da 3ª pedra.

Hoje, as paredes de madeira não existem mais e a primeira pedra está bem diferente, com um vai e vem intenso de moradores e turistas. E já pensou se fosse diferente? Mais do que uma foto, esse é um registro da luta com a pesca, o início do comércio e, principalmente, o desejo pela preservação do patrimônio comum.

Foto: Departamento de Cultura da Prefeitura de Itapoá

Pesquisa: Augusta Gern e Werney Serafini

Texto: Augusta Gern

Década de 60. Ainda não havia luz e estradas, mas já existia o Hotel Pérola. Com o nome que homenageia as pérolas do mar, há mais de 50 anos o tradicional hotel beira mar já estava na cidade de Itapoá. Registros antigos datam o início da construção em 1960 por Anésio de Barros Junior: a inauguração oficial ocorreu na Semana da Pátria de 1962, com todos os 17 quartos lotados.

Depois da inauguração, três empreendedores diferentes o arrendaram, até que em 1970 foi comprado por Nair Soares Mertens e Marcos Sebastião Mertens, que mantêm a tradição até hoje.

Foi no dia 15 de maio de 1970 que chegaram. As lembranças estão vivas na memória... Enquanto vieram de carro com o primeiro filho ainda com um ano de idade, os pais de Nair trouxeram a mudança de caminhão: uma vaca, algumas mudas de plantas e o que precisariam para começar uma nova etapa da vida. De Joinville, vinham tocar um hotel pela primeira vez. Conforme Seu Marcos, tudo começou com o desejo de dar estrutura aos visitantes que visitam a cidade com fins imobiliários.

Dona Nair lembra como se fosse ontem: “Tudo era muito precário. Então assim que cheguei arrumei todos os quartos com o nosso enxoval”. No primeiro dia já fez pão, cuca e janta para oito pessoas; e no dia seguinte o primeiro almoço do hotel e restaurante. Por 35 anos, foi ela quem comandou o fogão e panelas por lá.

Depois começaram as reformas, a luz chegou e o chuveiro a gás também. Nos feriados eram feitos mais de 90 pães para venda, além das marmitas para quem vinha trabalhar na cidade. No hotel a família cresceu, a tradição se manteve e a cidade evoluiu. Conforme os proprietários, foi ali que aconteceram as principais negociações do município.

Hoje, há 50 anos à frente do Hotel, o sentimento é da realização de um sonho. Para Dona Nair, o Hotel representa a construção de uma família, de um sonho e da certeza que não se pode desistir jamais.

Agora o Hotel segue escrevendo sua história pelas mãos das novas gerações da família Mertens, mas com a história e tradição vivas e presentes em todos os serviços.

Foto: 1960 - Construção do Hotel. Acervo família Mertens - Hotel Pérola
Pesquisa: Augusta Gern e Werney Serafini
Texto: Augusta Gern

Em tempos de isolamento social, nada mal lembrar das boas festas que já aconteceram na cidade, não é mesmo? Um dos lugares que certamente vem à cabeça quando o assunto é diversão é o Maresia. Afinal, quem não tem boas lembranças de alguma noite quente de verão por lá?

Essa foto é do final de 1992, quando o Maresia ainda não existia e a toda a estrutura havia sido pensada para a inauguração do Aeroporco, nome que nasceu para brincar com o bar Aeroanta, que na época fazia sucesso na cidade de Curitiba – PR.

Quem pensou e estruturou tudo e que hoje nos conta essa história é Raul Ivan Delavy, que desde 1988 escolheu Itapoá como lar. Conforme ele, tudo nasceu alguns anos antes, em 1989, quando ele e o amigo Márcio Gonzatto resolveram abrir um bar para suprir um pouco da carência de diversão. Assim nasceu o Refúgio, no Pontal, um bar que recebia todos os jovens que saiam do Continental (point da época) para continuar a festa lá. “Mesmo com a distância e uma estrada difícil, tínhamos bastante movimento”, lembra.

Infelizmente, junto com o movimento veio a crise do abastecimento de 1990 e, por terem um dia até que vender o gelo que estava no isopor, o Refúgio durou pouco tempo, mas deixou boas lembranças e a certeza de um nicho de mercado: o lazer noturno.

Depois de conhecer a família Gunther e trabalhar na reforma do restaurante do Camping, surgiu a ideia de multiplicar o espaço do Refúgio com uma nova opção.

A foto é da finalização da obra desse sonho: Raul com a esposa Elenice Varella. Ele não chegou a inaugurar o espaço, na época repassou ao Jeferson Garcia e ao César Cotia, que concretizaram boa parte dos shows que estão na memória da cidade com o então Maresia.

Hoje, tudo são lembranças: as noites no Refúgio e os shows do Maresia. Quem sabe novos espaços não possam continuar essa história? Seria um bom presente para as noites itapoaenses.

Foto: Acervo Raul Ivan Delavy
Texto: Augusta Gern

Contribuições: Werney Serafini

Ficar em casa. Em tempos onde o isolamento social é recomendado e as residências são os lugares mais seguros, não poderíamos deixar de falar delas. Itapoá conta com muitas casas antigas e conhecidas e, hoje, a bela casa branca e azul à beira do balneário Princesa do Mar, estilo fazenda, vem nos lembrar como os lares são construídos e se mantém sempre vivos com histórias e afetos.

Essa história se inicia em 1957, quando a família Serafini comprou terras em Itapoá e tudo começou a chegar de barco: como até então não havia estrada, animais e até casas atravessavam pouco a pouco a Baía da Babitonga, de São Francisco do Sul.

De Curitiba, a família veio quando o patriarca Mansueto Serafini foi nomeado engenheiro construtor da segunda estrada de ferro para ligar o norte do Paraná à Curitiba. Acabou conhecendo o litoral e decidiu, junto com um sócio, investir em agropecuária em Itapoá. Com o tempo, foi percebida a falta de vocação da cidade para o negócio e, a fazenda Remanso foi desativada, dando lugar ao Balneário Princesa do Mar. A área foi loteada com base em preceitos urbanísticos relacionados ao meio ambiente: ruas largas e áreas verdes. Junto a tudo isso, este local também virou o refúgio da família, que passava férias na grande casa construída em 1960.

Quem nos contou essa história foi Mônica Zuñeda Serafini, em 2014. Em 2018, com 97 anos, ela faleceu, mas deixou muitos ensinamentos para a família, amigos e até desconhecidos como, por exemplo, manter uma casa antiga sempre viva.

Conforme Mônica, muitas foram as dificuldades encontradas para construir e até aproveitar a casa, pela carência de infraestrutura. Mas, com o tempo, além de local para veraneio, a casa se tornou seu lar fixo por cerca de 15 anos. 

E assim, histórias por ali não faltam: um dia, depois de alguns anos sem visitarem a casa, a encontraram cheia de pessoas de uma excursão, que imaginavam que estava abandonada. Além de abandonada, a casa também já ganhou o adjetivo de assombrada: pessoas contam que já viram Mansueto, que faleceu em 1984, nos arredores do terreno.

Hoje, a casa ainda se mantém viva, não só nas lembranças, mas na construção de novas histórias: é lar do seu filho Werney Serafini e refúgio para toda a família nas férias.

Uma prova de que a memória e o afeto estão em todos os lugares e que podem e devem ser preservados junto com o presente e o planejamento do futuro. Você já reparou em todos as memórias afetivas que você tem com a sua casa? Aproveite esse momento para descobri-los e revivê-los.

 

 

Foto: Augusta Gern - 2014, A casa e Dona Mônica, em memória

Texto: Augusta Gern

 

A foto até pode não ser antiga, mas ela conta uma história que faz parte da memória de Itapoá?

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